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| capítulo 23. emergências |
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1. experimentar sem errar
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Quando comprei minha primeira bicicleta, em 1977, era muito comum voltar para casa a pé. A sua qualidade era para lá de ruim e ela quebrava, ou então o pneu furava com tanta freqüência, o que me obrigava a carregar sempre uma pesada caixa de ferramentas. A verdade é que pedalar era praticamente um inferno e só continuei usando bicicleta porque gostava muito da coisa. A qualidade das bicicletas melhorou significativamente desde então. Hoje, pedalar relaciona-se ao prazer, conforto, segurança e tranqüilidade. Se a montagem e regulagem da bicicleta forem bem realizadas, é muito difícil ocorrer um problema. Até mesmo a ocorrência de um pneu furado tornou-se rara, porque os compostos de borracha atuais são muito mais resistentes a cortes e furos. Há mais de trinta anos, todas as pesquisas confirmam que o maior fator de desestímulo ao uso da bicicleta sempre foi a sua baixa qualidade. A partir do final da década de 80, com o fenômeno de vendas mountain bike, o mercado mundial de bicicletas passou a ser direcionado para a melhor qualidade disponível. Uma bicicleta de qualidade superior aos modelos comercializados em supermercados e magazines dificilmente apresentará qualquer tipo de problema. Falar sobre emergências, ferramentas, remendos e bombas é de grande utilidade para orientar quem ainda considera todas as bicicletas iguais. Com um canivete de múltiplas chaves, uma chave inglesa pequena (para 15 milímetros), chave de niples (caso já não haja no canivete), 3 espátulas de pneu, um kit remendo para câmara e uma pequena bomba de pneu (double-shot), é possível desmontar, remontar e ajustar quase totalmente uma bicicleta moderna de boa qualidade. Mesmo assim, nada impede que algumas emergências possam ocorrer. E aqui mostramos como resolver algumas delas. Transportar a bicicleta num carro
A melhor forma de transportar a bicicleta é dentro do carro. Na área externa, na capota ou na traseira, é mais fácil, mas desprotegido. Para colocar a bicicleta no interior do carro normalmente é necessário retirar as rodas e em algumas situações retirar também o selim. Dá trabalho, rouba espaço, pode sujar o interior ou danificar o carro. Mas o risco de roubo da bicicleta é muitíssimo menor. Qualquer tipo de rack muda o comportamento do carro, aumentando o arrasto aerodinâmico e o gasto de gasolina. Bem, enfim, onde transportar a bicicleta é um pouco questão de gosto pessoal, mas pense bem: sua bicicleta merece a segurança de estar dentro do carro.
dentro do carro: fora do carro: dentro de uma caminhonete, ônibus ou caminhão
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A forma mais comum de prender a roda ao quadro ou garfo é por meio de porcas ou blocagem. Bicicletas muito baratas vêm com porcas, normalmente na medida 15 milímetros; bicicletas de qualidade vêm com blocagem nas duas rodas. Uma blocagem facilita muito prender ou soltar uma roda, e bem usada, é mais segura que uma porca. Porcas podem danificar o quadro ou garfo e, se não recebem a pressão de aperto adequada, fazem com que a roda traseira saia de posição. Ao recolocar uma roda no quadro ou garfo, é importante pressionar o quadro para baixo antes de fechar a blocagem ou apertar a porca, de forma a forçar o encaixe total e perfeito da roda. Depois de terminada a operação sempre cheque se a roda está perfeitamente encaixada e alinhada em relação ao quadro ou garfo, e também em relação às sapatas de freio. Entenda o funcionamento das blocagens Nunca gire uma blocagem como se fosse um ponteiro de relógio ou uma chave girando uma porca. Deve-se acionar a alavanca de blocagem no seu movimento de 180°, que vai de um lado para outro da roda, exatamente como o movimento do sol. Dar pressão correta numa blocagem:
roda dianteria A maioria dos garfos tem uma espécie de rebarba de segurança para evitar que a roda se solte com facilidade do garfo e cause um grave acidente. tirar a roda dianteira:
roda traseira retirar
colocar
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pneu furado necessário:
Bicicletas de boa qualidade vêm com câmaras que mantêm por muito tempo a pressão correta. Seus pneus são mais resistentes a furos, os aros não têm rebarbas e são vestidos com fitas que impedem niples ou raios de cortarem a câmara. Tudo isso faz com que a ocorrência de furo seja rara.
antes de retirar a roda do quadro ou garfo, ou desmontar o pneu: 1. procure localizar o objeto causador do furo; 2. se necessário encha mais o pneu e passe a mão lenta e suavemente sobre a banda de rodagem para descobrir onde está o vazamento; 3. faça uma marca onde ele se encontra; 4. só então retire a roda do quadro ou garfo. desmontando o pneu 5. esvazie por completo o ar da câmara; 6. encaixe as duas primeiras espátulas embaixo do pneu, com uma distância de aproximadamente 10 centímetros entre elas; 7. puxe-as ao mesmo tempo para fora, girando no sentido do centro da roda; 8. segure-as encostadas nos raios com uma mão; 9. encaixe com cuidado a terceira espátula no pneu e puxe para fora; 10. repita a operação até que toda a lateral do pneu esteja desencaixada do aro; 11. cuidado para não perder a referência da marca de onde o furo está. encontrar o furo 12. retire a câmara para fora do pneu. Algumas vezes, não é necessário retirar o bico do aro para realizar o remendo; 13. se o pneu esvaziou muito rápido, talvez seja possível notar o furo a olho nu; 14. encha bem a câmara e passe a mão sobre ela até localizar o furo; 15. faça uma marcação com uma caneta esferográfica onde está o furo. Esta marcação deve ser desenhada de modo que seja possível centralizar o remendo no local exato do furo e que ela não desapareça depois de lixar a câmara. Uma boa opção é fazer uma espécie de mira com um traço vertical e um horizontal cruzando exatamente sobre o furo. realizar o remendo 16. com uma lixa média, lixe uma área no entorno do furo, maior do que a área que será ocupada pelo remendo; 17. coloque pouca cola e espalhe bem por toda a área lixada. É um erro colocar muita cola porque isto fará o remendo soltar; 18. deixe a cola secar por uns minutos; 19. nunca coloque os dedos na área que recebeu cola; 20. só retire a película protetora do remendo na hora de colá-lo na câmara; 21. retire a película plástica do remendo, evitando tocar na área de contato do remendo; 22. coloque o remendo centrado no furo e pressione; 23. apóie a câmara em uma superfície regular, lisa e limpa, e esfregue com pressão sobre o remendo usando a bomba ou uma espátula; 24. antes de remontar o pneu, encha a câmara para certificar-se que não há outro furo. remontar o pneu 25. procure com os dedos por dentro de todo o pneu, se há algum objeto cortante que possa furar novamente a câmara. Se houver algo, retire; 26. monte só uma das laterais do pneu no aro; 27. a câmara deve ser colocada de volta no pneu com um pouco de ar para evitar que fique enrugada ou dobrada; 28. encaixe o bico da câmara no aro e assente a câmara dentro do pneu; 29. monte por completo o pneu no aro; 30. certifique-se que ele está completamente dentro do aro nos dois lados; 31. encha um pouco o pneu e certifique-se que ele se acomodou corretamente no aro; 32. pneu de qualidade só assenta perfeitamente bem quando recebe um pouco de pressão; 33. se tudo estiver em ordem, encha até chegar a pressão mínima indicada na lateral da banda do pneu; Evite encher um pneu murcho em calibrador automático de posto de gasolina. Se não tiver outra opção, baixe a pressão do aparelho para umas 15 libras, encha o pneu, certifique-se que está tudo bem, e só então coloque a pressão desejada. A Escola de Bicicleta recomenda não encher um pneu até a pressão máxima expressa na banda de rodagem. O ideal é não ultrapassar 90% da pressão máxima. pneu cortado necessário: um pedaço de jeans ou tecido de guarda chuva, cola de adesão (usada por sapateiros) consertar um corte
como remendar o pneu?
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alinhar um aro necessário:
Alinhar um aro é uma arte. Resolver um desalinhamento acidental é uma necessidade. A dica apresentada aqui serve apenas para que você tenha a possibilidade de voltar para casa pedalando, e não para fazer um alinhamento perfeito. primeiro passo: descobrir o tamanho do estrago:
segundo passo: preparar a bicicleta para o conserto:
terceiro passo: estudando o que vai fazer
Nota: a chave de niple tem várias medidas e sempre deve ser usada somente a que se encaixa sem folga no niple;
raios, niples e tensão: breve explicação Pegue uma roda dianteira - que não esteja muito boa - para praticar (brincar) um pouco. Aviso: Não saia na rua com uma roda que você está usando para aprender centrar. Depois desse treino, leve-a para uma centragem correta numa bicicletaria de confiança. Aproveite e observe o trabalho do mecânico. descobrindo a roda
a roda, os raios e a tensão dos niples:
trabalhando os niples
o que acontece quando:
Evite a insistência em corrigir demais o aro. As dicas dadas aqui são somente para fazer com que o aro chegue rodando até em casa. centrando uma roda
ajuste fino
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cabos dos câmbios Por uma questão de garantia, retire por completo o cabo partido de forma que ele não se enrosque nos raios ou engrenagens e provoque maiores estragos. Se não for possível, pelo menos amarre-o bem no quadro de modo a não ficar qualquer ponta exposta. Para voltar para casa: câmbio traseiro: com uma chave de fenda ou Phillips, aperte ( girar 1 volta completa por vez no sentido horário) o parafuso com a letra "H" ao lado, e gire os pedais. Vá repetindo a operação até a corrente ficar bem encaixada numa marcha mais leve. câmbio dianteiro: se você estiver em um local de muitas subidas, deixe o câmbio engatado na coroa pequena. Se estiver no plano, e necessitar de mais velocidade, gire o pedal e acione o câmbio dianteiro com a mão, até a corrente se encaixar na corroa do meio. Então aperte (girar no sentido horário) o parafuso com a letra "L" no câmbio, até que a parede externa do passador de corrente fique alinhada com a corroa grande.
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Não há desculpas para a displicência de uma falha no sistema de freio. Grande parte dos acidentes envolvendo ciclistas no Brasil é causada por falha dos freios. Alguns resultam em óbitos ou lesões irreversíveis. E depois do acidente não há mais o que fazer. Faça uma revisão periódica no sistema de freio e troque qualquer um de seus componentes que apresente desgaste ou mau funcionamento. A Escola de Bicicleta não recomenda qualquer tipo de remendo ou improvisação no sistema de freio.
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quebra de corrente necessário: martelo ou algo para bater; prego, uma porca ou punção fina, alicate Se estourou um elo da corrente, será necessário retirar este elo e remendar a corrente no elo seguinte. Sem extrator de correntes, é necessário improvisar:
para montar a corrente
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Caso o pedivela solte é necessário apertar o parafuso ou a porca com uma chave 14mm de boca. É possível encontrá-la em uma mecânica ou até mesmo em um borracheiro. Em áreas urbanas até que não é difícil resolver o problema, mas em locais mais distantes fica um pouco mais complicado. Mas há um jeitinho:
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